segunda-feira, 27 de abril de 2015

Na minha felicidade mando eu

Tinha catorze anos quando o meu pai me disse que há pessoas que nascem para sofrer e que eu era uma delas. A partir desse dia prometi a mim mesma que ia combater esse sofrimento a que me queriam destinar e que ia ser feliz. E desde aí que a minha vida tem sido uma luta constante. Já levei muita pancada da Vida, já vi a minha confiança traída das formas mais infames e já desci a escada aos trambolhões, mas quando cheguei ao fundo agarrei em mim mesma, limpei as feridas e em vez de me tornar uma pessoa amarga, passei a gostar ainda mais de mim e tornei-me uma pessoa melhor.
A minha capacidade de resistir tem sido constantemente posta à prova, até pelos que me são mais próximos e que deveriam ser os que mais deveriam querer proteger-me, mas que pelo contrário fazem de tudo para ver se quebro. E, apesar do negativismo que me rodeia, todos os dias me levanto com a mesma determinação: ser feliz. E mesmo nos dias em que só me apetece cobrir a cabeça e baixar os braços, respiro fundo, meto-me debaixo do chuveiro e saio de lá com um sorriso no rosto, porque sei que dependo única e exclusivamente de mim, que ainda tenho muita coisa boa para viver e que o meu sorriso incomoda profundamente quem todos os dias se esforça para mo tirar do rosto.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Dos sorrisos

Cheguei ao velório, cumprimentei a família, olhei em meu redor e lá estava ela, olhos cravados em mim, ansiosa que a visse, com os olhinhos a dizerem "Olha para mim, estou aqui, estou aqui!". E eu, cabra que me orgulho de saber ser, lancei-lhe o meu olhar trinta e sete, aquele que diz "sim, já te vi, sossega lá a passarinha que já aí vou". E quando achei que era tempo lá fui, cumprimentei quem estava com ela e por fim cumprimentei-a também, mas não a vi de facto. Tornou-se transparente para mim há vinte anos, no dia em que decidiu que a conta bancária do sogro era mais importante do que a nossa amizade de uma vida. Sou assim com as pessoas de quem gosto muito e que me desiludem profundamente, morrem-se-me. Deixo de pensar nelas, não me lembro sequer que existem a não ser quando me aparecem à frente e quando aparecem é como se fossem transparentes, não sinto nada, não há sorrisos, não lhes pergunto como vai a vida, porque não me interessa. Cumprimento-as porque sou uma pessoa educada.
A conta bancária do sogro poliu-lhe a aparência; aprendeu com a sogra, que a trata com desprezo, a ser chique, a falar à tia fozeira e a ter aquele sorriso morto constantemente colado na cara. E eu fiquei a pensar que há pessoas que nascem para serem chiques e há as que nascem para serem felizes. Eu sou feliz, o meu sorriso é espontâneo e só o vê quem é digno dele.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Irritações II

Pior do que uma gaja que usa o perfume do marido/namorado, só os gajos que usam os perfumes das mulheres/namoradas. Será que também usam as calcinhas delas quando não têm "truces" lavados?

segunda-feira, 16 de março de 2015

Eu sei que o Senhor me castiga pelos meus maus pensamentos I

Às vezes estou a apreciar alguns gajos a trabalhar e dou por mim a perguntar-me se eles a engatar gajas também serão assim. É que se forem, a vida deles deve ser uma tristeza.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Do mês de Março

O mês de Março é assinalado como o mês da Mulher. O mês de Março devia ser todos os meses do ano, todos os dias das nossas vidas. O mês de Março devia ser a educação e a formação cívica que se dá às nossas crianças, ensinando-as desde o berço que Homens e Mulheres são iguais, que o respeito deve ser mútuo, que não se agride o nosso semelhante.
Em Israel as mulheres só se podem divorciar se o marido lhes der permissão. Como não há casamento civil, o casamento religioso não lhes confere a liberdade de pôr termo ao casamento sem que o marido o autorize. Uma mulher israelita pode levar anos até conseguir que o tribunal lhe permita, enquanto mulher divorciada, viver na legalidade.
Na Índia todos os dias meninas com menos de 10 anos são vendidas pelas famílias e obrigadas a casar com homens com idade para serem seus avós. Todos os dias mulheres são violadas e mortas, porque os homens entendem que a sua condição de mulher assim o permite.
Em África todos os dias centenas de meninas são excisadas, uma violência que leva à morte de muitas delas. E porquê? Porque quem o faz entende que não é suposto as mulheres sentirem prazer. O que mais me choca? O facto destes actos bárbaros serem perpetrados por mulheres, a mando dos homens.
Em Portugal, todos os dias milhares de mulheres continuam a sofrer em silêncio às mãos de maridos, namorados e companheiros, que as agridem, humilham e muitas das vezes acabam por as matar. Em Portugal sabemos que a vizinha, a amiga, a prima, a irmã, a mãe são vítimas de violência doméstica, mas continuamos a virar a cara e a não denunciar estes casos. Se as vítimas não o denunciam, porque havemos nós de o fazer? É essa a desculpa, não é? Levantar a voz, fazer algo por quem não se consegue ajudar a si próprio, dá trabalho e  requer uma coragem que muitos de nós não tem.
O ser humano conseguiu feitos gigantescos em variadíssimas áreas, só ainda não conseguiu o maior dos feitos: incutir nos seus descendentes o princípio da igualdade, o respeito pelo próximo como seu semelhante, independentemente do sexo, raça ou credo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Apetece-me arrancar olhos

De que nos serve um assistente que não nos assiste e que ainda nos obriga a verificar constantemente se fez aquilo que é suposto fazer?
Há dias em que me apetece soltar a besta que há em mim!
E a gerência? A gerência diz-me para ter calma, que ainda não é hora...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Cá vamos nós

Quando os oiço a falar baixinho e para dentro é porque vem aí merda, Hoje o dia começou assim. Vamos deixar correr o dia e ver o que vem por aí.
Ver homens adultos a comportarem-se como putos no infantário é coisa que me aquece a alma... e o sangue nas veias.